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Autora da Guiné-Bissau colabora com universidades britânicas para ilustrar contos

Reportagem · 12 de jun. de 2026 · 7:49

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No Reino Unido, duas histórias inspiradas na cultura balanta da Guiné-Bissau vão ganhar nova vida, através de um projecto académico. Tuaila Milanca nasceu em Bissau, mas vive fora do país há mais de duas décadas. Foi ainda adolescente, em Moscovo, que escreveu estas histórias para preservar e partilhar a cultura da etnia balanta. Agora, a viver em Norwich, no leste de Inglaterra, colaborou com duas universidades para publicar os contos.

O objectivo de Tuaila Milanca é dar visibilidade a uma cultura pouco conhecida pelos britânicos e aproximar estas histórias de um público mais jovem.

Aqui se contam duas histórias. Uma é trata de Alanten e Alanan. Os irmãos são curiosos e queriam aventurar-se, queriam conhecer a cultura balanta. Entretanto, desobedeceram aos avós e acabaram de cair numa emboscada, num espaço em que eles não podiam entrar, em que é proibido entrar. Mas como eles crianças não sabiam disso, e entraram. Entretanto, para ser resgatado daquele espaço, precisavam do 'latindan', da presença dele com algumas cerimónias para poder resgatar as crianças lá dentro.

E a outra história é a Fuga de Baptida, uma menina que foi obrigada a casar com um homem mais velho e que fugiu da aldeia.

É uma história muito emocionante e espero que as pessoas vão gostar.

Milanca, diz ter-se inspirado em contos tradicionais, mas reconhece nas personagens parte da sua infância.

Eu quando era criança também era muito curiosa. Gostava sempre de ir aonde não deveria ir. Eu lembro-me quando era pequenina, na guerra em 1998, fomos para a aldeia, o meu avô ainda estava em vida e gostava sempre de ir atrás dele quando ele ia para a 'bolanha' [arrozal], coisas assim. As minhas tias iam apanhar ostras, eu estava sempre atrás também.

As ilustrações das histórias mostram alguns objectos tradicionais, como trajes, o barrete vermelho e os tambores "bombolom".

Eu saí da Guiné[Bissau] pequena, mas sempre estou conectada com a etnia, porque tenho familiares que ainda vivem na aldeia".

 

Agora, mãe de duas crianças nascidas no Reino Unido, quer transmitir a cultura.

O projecto foi coordenado pela professora associada de Antropologia Social da Universidade de East Anglia, Maria Abranches, que conheceu Tuaila Milanca através da organização The Bridge Plus+ Limited.

Nós trabalhamos na área das migrações muito com o método de 'storytelling'. É um método muito poderoso, tem muita força e chega a um público também mais vasto, não só académico. E eu pensei, se pudermos encontrar uma forma de colaborar e de conseguir que as histórias fossem ilustradas e publicadas, seria não só uma forma de dar voz a imigrantes como a Tuaila, que é uma das áreas em que nós também trabalhamos, de dar essa voz a pessoas de grupos mais marginalizados, mas também seria uma forma de conseguir comunicar histórias de diversidade cultural a um público moderno, mais jovem, mais alargado e numa altura em que isso é muito necessário. Nós vemos no Reino Unido, mas não só, aumento de discursos anti-imigração e um sentimento muito negativo em relação à imigração, portanto seria uma boa altura para poder avançar com esse projecto.

Abranches propôs uma colaboração à Universidade de Artes de Norwich University. Cerca de 70 estudantes do curso de Ilustração fizeram desenhos sobre as histórias de Milanca.

É uma forma de transmitir essa cultura. Há dois públicos, no fundo, tanto um público que não conhece quase nada da cultura guineense, e muito menos da cultura balanta, aqui no Reino Unido e sobretudo em Norwich, há uma comunidade guineense, mas relativamente pequena e não muito conhecida. E também há um público que são os descendentes de imigrantes, não só guineenses, mas outros africanos também, que já se sentem um bocado afastados dessas tradições culturais e pessoas como a Tuaila e outros da comunidade sentem essa vontade de aproximar esses jovens também, de fazê-los pelo menos conhecer essas origens da sua cultura.

Dos cerca de 70 alunos participantes, foram distinguidos os quatro melhores trabalhos e dois vão ser publicados.

Nesta fase, o meu papel é também trabalhar para conseguir publicar duas histórias, em formato de comic book, que vão ser publicadas e distribuídas. Agora o meu trabalho vai ser avançar com essas publicações e depois pensar em estratégias de divulgação. 

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