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Vier trouxe "Lúcido" ao Festival de cinema de Cannes

Reportagem · 15 de mai. de 2026 · 12:32

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O cineasta português Vier trouxe a curta metragem "Lúcido" à competição imersiva do Festival de cinema de Cannes. Uma viagem em realidade virtural ao sonho lúcido protagonizada por um casal gay.

Boa tarde Vier. Bem-vindo ao Festival de Cinema de Cannes. É um prazer acolhê-lo. Vamos falar, nomeadamente da terceira edição de Cannes Imersivo, uma competição de nove experiências inéditas. E começaria mesmo por perguntar como é que é esta competição imersiva ?

Nós sabemos que ela decorre num célebre hotel de Cannes, que implica frequentemente recurso a óculos especiais. Como é que está a viver isto e como é que isto se materializa?

Esta nova competição imersiva começou em 2024. Tenta introduzir novas abordagens. relativamente ao cinema, que utiliza a realidade virtual, que utiliza projecção de vídeo que de alguma forma tentam incluir o participante ou o espectador dentro da própria experiência cinematográfica.

Portanto, é uma obra inovadora...

 

Não há nada da inteligência artificial, realidade virtual, inteligência artificial são coisas completamente distintas.

Quando falamos em realidade virtual, falamos de tecnologia que permite a uma pessoa entrar dentro do mundo digital e habitar este mundo em 360 graus, que ocupa toda a visão do espectador. As imagens são completamente criadas por mim. Aliás, são uma extensão do meu trabalho visual como pessoa que pinta, como pessoa que desenha.

 

Vamos falar disso precisamente. É uma colaboração entre seis estúdios, incluindo o português Cola Animation. Mas também há estúdios do Brasil, Colômbia, Espanha, Itália e Dinamarca. Como é que surgiu "Lúcido"?

 

Isto surgiu de um programa chamado Ibermedia Next, que é um fundo de apoio a colaborações entre países mediterrânicos e a América Latina.

E a estrutura deste fundo fez-nos pensar em criarmos uma antologia de colaboração entre vários estudos, de forma a partilharmos o conhecimento que temos, nomeadamente no que diz respeito a realidade virtual.

E a tentarmos, de alguma forma, criar uma estrutura na qual cada uma das experiências se inseriria.

E ao mesmo tempo permitir muita liberdade no que diz respeito ao processo criativo. A antologia enquadra seis experiências de realidade virtual, todas muito distintas umas das outras, com estilos e realizadores diferentes.

O que as une é precisamente essa colaboração na partilha de conhecimento e, de alguma forma, de todas as experiências estão relacionadas com a temática do sonho. Interpreta de formas muito distintas, mas há esse ponto de ligação.

 

Vamos falar da forma. Você falava da realidade virtual e isto estamos a falar da 3D. De que é que estamos a falar exactamente?

Uma experiência a três dimensões. Difere dos filmes 3D precisamente pelo facto de estarmos dentro dele.

Há relevo !

Há relevo. Há noção de perspectiva e a liberdade de movimento. No "Lúcido", a pessoa participante tem a capacidade de voar pelos ambientes oníricos onde a narrativa se passa. Interpretam ou não a personagem consoante ela está lúcida no sonho, naquele momento? Ou seja, eu uso o facto de a pessoa conseguir encarnar a personagem como uma ferramenta narrativa. Faz parte da história.

Falando ainda um pouco da forma. Portanto, o projecto tem banda sonora do músico Filipe Raposo e vozes, nomeadamente na versão portuguesa dos actores Tadeu Faustino e Rafael Gomes. Como é que foi implicar esta gente toda? E depois há outros nomes para a versão em inglês para fazer "Lúcido" ?

 

Foi bastante interessante. O Filipe Raposo foi-me muito recomendado pelo Bruno Caetano e a nossa colaboração numa banda sonora foi uma experiência bastante feliz.

No caso dos actores, foi uma busca interessante. Nós abrimos um casting para actores e quando eu ouvi o Tadeu e o Rafael interpretarem o texto pela primeira vez, foi imediata a decisão. Eu percebi logo que sim. Nem preciso quase de dirigir estas pessoas, elas já sabem a voz, a intenção destas personagens. O Tadeu tem uma voz deliciosamente simpática e querida e acolhe o participante na experiência, que é precisamente aquilo que eu queria com a personagem do namorado do Gil. E o Rafael tem esta doçura e profundidade na voz dele, que se traduz perfeitamente na personagem.

Fiquei mesmo muito contente. Sinto que eles pegaram naquilo que era um texto que eu escrevi com 22 anos, já há quase mais de seis anos e dei-lhe uma profundidade que eu não imaginava que pudesse ter. Fez-me mesmo muito feliz. Acho que o nosso trabalho se expande muito pelas pessoas com quem trabalhamos. E faz-me sempre muito feliz pensar e ficar surpreendido com o que as outras pessoas conseguem trazer para os nossos projectos.

 

Obviamente, porquê "Lúcido" ?, Porque estamos aqui também numa espécie de limbo entre o estar acordado, o estar adormecido e a sonhar. Quando se está acordado está-se lúcido, por norma. Era aí que você queria chegar ?

 

Sim, a narrativa enquadra-se dentro de um sonho lúcido, que é um fenómeno peculiar da percepção humana, que é o fenómeno de percebermos que estamos a sonhar durante um sonho. Ou seja, ter essa realização que se chama o "sonho lúcido". Esta realização pode- nos dar poder sobre o sonho.

Podemos de alguma forma conseguir controlar elementos do ambiente onírico ou não. Muitas vezes estamos lúcidos e não conseguimos controlar na mesma o que se passa à nossa volta. Mas essa dinâmica entre conseguir controlar ou não controlar o ambiente à nossa vo

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