Vida em França · 12 de ago. de 2026 · 14:51
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A França enfrenta esta semana a quinta vaga de calor extremo deste verão. As temperaturas continuam a aumentar e a seca também se intensifica. Desde o início da semana, perto de 70% do país está sob restrições para o uso da água, nomeadamente o distrito de Vaucluse, no sul de França, onde as autoridades emitiram um alerta a definir a situação hidrológica como “preocupante” e a pedir restrições no uso da água. É nessa região que se encontra o "Domaine La Perdrière", em Sablet, que tem 27 hectares de vinhas, cultivados em agricultura biológica. O viticultor franco-português Vasco Perdigão, proprietário da quinta desde 2010, deu-nos o seu testemunho sobre o impacto da seca e do calor extremo nas suas vinhas.
A agência meteorológica francesa informou, a 6 de Agosto, que a seca do solo se mantinha em níveis recorde em França e era generalizada. O Gabinete Francês para a Biodiversidade acrescentava que a situação dos pequenos riachos é "a mais crítica alguma vez registada para esta época do ano". De acordo com a agência France Presse, no início de Agosto, quase dois terços das águas subterrâneas, as principais reservas de água, estavam abaixo dos níveis normais.
Para percebermos concretamente o impacto no terreno, falámos com o viticultor Vasco Perdigão que tem vinhas espalhadas por várias aldeias e, nem todas puderam ser regadas em Julho. As que o foram “estão bem”, as outras - nomeadamente as mais jovens e certas castas não adaptadas a temperaturas altas - “estão a sofrer muito” e algumas parece que “passaram no forno”, conta. Vasco Perdigão receia que, se não chover no mês de Agosto, possa voltar a haver uma diminuição da colheita, algo que aconteceu já no ano passado e que se situou na ordem de 30% de perdas.
O viticultor admite que o sector dos vinhos biológicos atravessa um período difícil, entre a seca, a falta de chuva, a diminuição das importações para os Estados Unidos (devido às taxas impostas por Donald Trump) e a redução, em geral, do consumo de vinhos. Ainda que a seca e as altas temperaturas contribuam para diminuir a quantidade de vinho produzido, o facto de praticar uma agricultura biológica mais atenta à terra e à vinha é garante de qualidade, explica Vasco Perdigão. O problema é que seria preciso aumentar o preço, mas a concorrência é feroz.
“O mais complicado é ver que as condições de produção são cada vez mais complicadas com o aquecimento do planeta, a seca e as temperaturas muito elevadas, sobretudo este ano porque é um ano recorde. Eu acho que desde 2003 não vimos isto, é uma coisa mesmo impressionante. Por outro lado, a venda de vinho é cada vez mais complicada, cada vez mais concorrencial, e é verdade que nós estamos preocupados”, explica o viticultor.