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Vida em França

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Empresários portugueses em Bordéus falam em "calamidade" após incêndio

Vida em França · 4 de ago. de 2026 · 13:31

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No distrito da Gironda e seus arredores, arderam mais de 180 casas e estima-se que quase 40 mil empresas não possam retomar a sua actividade devido ao impacto do mega incêndio que lavra na região desde Julho. Os empresários portugueses nesta região descrevem o impacto na sua actividade profissional, as dificuldades e as oportunidades após esta "calamidade".

Com o regresso gradual das 220 mil pessoas retiradas das suas casas no distrito da Gironda e arredores, começa-se agora a fazer contas aos danos materiais do mega incêndio que afecta a região desde 22 de Julho e que está finalmente circunscrito. A RFI falou com vários empresários portugueses na região que descrevem a devastação deixada pelo fogo.

Sérgio Sousa, português instalado em França desde 2008 e que montou a sua empresa de construção civil Casa Nova 40, em Biscarrosse, no distrito de Landes ao lado de Bordéus, viu o seu armazém, os seus escritórios e as viaturas de trabalho arderem no incêndio.

"O incêndio começou aqui na floresta, junto à zona industrial e começou até perto da minha casa, porque eu moro a 4 quilómetros do meu escritório. A minha esposa ligou-me a dizer que havia aqui um incêndio perto de casa e vim a correr para salvar aqui a casa. 20 minutos depois eu vi as câmaras de vigilância nos escritórios e já estava tudo a arder. Já o fogo já estava lá", contou Sérgio Sousa.

Mesmo após este golpe, Sérgio Sousa vai voltar ao trabalho já em Setembro, tendo instalado escritórios provisórios na sua casa.

"Em Setembro tenho clientes previstos e tenho orçamentos assinados já para trabalhos nos meses de Janeiro e Fevereiro. A actividade não pára e devido aos incêndios tenho tido muitos pedidos de orçamentos, já que muitas casas foram destruídas. Entre quatro a cinco por dia", explicou.

No pico dos incêndios na Gironda, cerca de 150 mil trabalhadores foram obrigados a ficar em casa, muitos abrangidos pelo mecanismo de lay-off, ou desemprego parcial. As câmaras de comércio locais temam agora a falência de muitas empresas nos próximos meses.

Fernando da Silva, que possui um armázem de materiais de construção junto à cidade de Bordéus, teve o seu negócio fechado durante quase uma semana. A sua empresa não sofreu danos e este português antecipa mesmo uma retoma no negócio, devido ao número de casas afectadas, mas fala de "uma calamidade" na região.

"Já antes deste incêndio, o sector da construção civil estava sinistrado em França. O ano passado não foi muito bom e estávamos a sofrer muito. A região é muito rica, mas ardeu muita coisa. Foi uma calamidade. Inclusive amigos que tenho, que as casas arderam completamente. Ora bem, nós agora vamos ter que fornecer materiais para a reconstrução após este desastre. Espero que este momento muito mau, traga algo de bom que é a retoma do negócio", indicou Fernando da Silva.

Fernando da Silva é presidente da Academia do Bacalhau de Bordéus e já está a prever também acções de solidariedade na região, com distribuição de roupa de criança para as famílias mais afectadas e convívios para arrecadação de fundos a partir de Setembro para ajudar quem perdeu tudo nestes incêndios.

Se o sector da construção civil pode ver a sua actividade aumentar nos próximos meses que serão de reconstrução nesta parte de França, outros sectores, ligados ao turismo são mais preocupantes. Devido à proximidade com o mar, a Gironda e Landes vão buscar uma parte importante da sua riqueza ao turismo. Com os incêndios, muitas famílias francesas já em férias foram evacuadas da região e outras cancelaram as suas férias, havendo um grande impacto nos hotéis, nos parques de campismo, mas também nos restaurantes, cafés e bares, com alguns a terem perdido 64% da sua facturação.

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