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Paz, saúde e inteligência artificial marcam os pedidos dos peregrinos em Lourdes

Convidado · 27 de set. de 2026 · 9:10

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Pouco passava das 19h00 locais quando o avião que transportava o Papa Leão XIV aterrou no aeroporto de Tarbes-Lourdes-Pirenéus. Cerca de uma hora depois, o pontífice chegava de papamóvel ao santuário de Nossa Senhora de Lourdes, onde milhares de pessoas aguardavam, há horas e debaixo de muito sol, para o ver passar.

Leão XIV dirigiu-se à gruta de Massabielle, a gruta das Aparições, e cumpriu os gestos tradicionais do peregrino. Em silêncio, ajoelhou-se diante da imagem de Nossa Senhora de Lourdes, entrou na gruta, tocou nas paredes, acendeu uma vela e bebeu água da fonte.

Na oração, o Papa pediu pela paz no mundo e pelo respeito pelos direitos humanos, mas também pelos doentes, pelas pessoas que sofrem e por aqueles que delas cuidam.

"Nossa Senhora de Lourdes, que promovas a defesa dos direitos humanos fundamentais, bem como a paz no mundo, rejeitando para sempre as lógicas da guerra. [...] Virgem Maria, apresentamos-te as nossas intenções pessoais mais urgentes, em especial as das pessoas doentes e sofredoras, bem como de todos aqueles que as acompanham, que vieram buscar força e cura na fonte de Massabielle."

Lourdes é um lugar de peregrinação profundamente associado à doença, ao sofrimento e à procura de cura. Muitos dos peregrinos que chegaram este sábado ao santuário levaram consigo pedidos pessoais, mas também preocupações com o mundo.

Neuza, brasileira que vive em França e viajou de Bordéus para estar presente na chegada do Papa, descreve a emoção de poder vê-lo de perto: "Tem muita emoção saber que eu vou ver ele. [...] O poder estar aqui, o poder olhar para ele, que ele olhar para a minha cara. Só isso já é muita coisa para mim."

A peregrina conta que leva habitualmente água de Lourdes para pessoas que lhe pedem e que aproveita cada visita para fazer as suas próprias orações: “Eu quando venho aqui, eu levo sempre água para todas as pessoas que pedem para mim. [...] Aqui boto as velinhas e a gente também pode fazer uma missa e eu faço para a minha mãezinha, que foi embora. [...] Lourdes para mim representa a parte entre Deus e nós aqui."

Entre os peregrinos estava também Vilma Silveira, brasileira, que vem a Lourdes uma vez por ano. A sua missão, diz, é distribuir terços aos visitantes. "Então, este ano eu entreguei 4.000 terços. Eu trabalho para Maria, mãe de Jesus."

Este ano, a visita coincidiu com a chegada do Papa, uma coincidência que considera especial: “Exactamente. Foi uma bênção, pura bênção. E recebemos inclusive o crachá para participar de todo o cerimonial. É uma honra para mim, brasileira, fazer parte desse evento."

Para Vilma, a presença do Papa em Lourdes acontece num momento em que é necessário recuperar a dimensão espiritual e humana da vida. "Este Papa é muito realista. Ele está dentro do nosso panorama de hoje. Então, o que ele quer? Ele quer paz. No mundo não existem divisões, e sim pontes para agregar os países."

Também Max de Oliveira, residente em Toulouse, veio a Lourdes, acompanhado pela mulher, pelo filho mais novo e por uma amiga. O pedido que traz é simples: "Estamos à espera da paz e de ajudar muitos doentes, os que sofrem muito neste mundo. Mesmo estando em França, os doentes sofrem."

A irmã Sueli, da Imaculada Conceição de Nossa Senhora de Lourdes, vê na visita de Leão XIV uma oportunidade para reforçar a mensagem espiritual do santuário e renovar a esperança: "O significado maior é realmente dar força à palavra de Maria. [...] Faz muito sentido que ele esteja aqui hoje para reanimar e motivar a fé, reavivar a esperança do povo francês."

Para a religiosa, a própria história de Lourdes está ligada a uma atenção especial aos mais necessitados: "Lourdes significa uma opção total por aquele que é mais necessitado, por aquele que precisa. Precisa de fé, precisa de cuidado."

Gracinda Soares viajou de Vila do Conde, Portugal. Não tinha planeado a viagem para coincidir com a presença do Papa, mas acabou por encontrar-se com Leão XIV em Lourdes. O pedido que traz a Nossa Senhora é um dos mais comuns entre os peregrinos: "Saúde. A gente tendo saúde pode trabalhar para ganhar dinheiro. Tem tudo na vida, não é? Tendo saúde, temos tudo."

Ao lado de Gracinda estava a filha Sílvia visitou Lourdes pela primeira vez e admite que as limitações impostas à circulação devido à visita papal dificultaram o acesso a alguns espaços do santuário. Ainda assim, considera que a presença de Leão XIV acaba por compensar o constrangimento.

Para esta peregrina, a paz é a principal preocupação: "Paz no mundo. Neste momento, acho que a paz no mundo é responsabilidade para quem tem a capacidade de decidir por nós e pelos nossos países, não é? De certa forma, para os nossos governantes. Consciencialização e amor a Deus. Porque eu acho que no dia em que os nossos governantes tiverem amor e temor a Deus, se calhar as coisas tomam outro rumo.”

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