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Leão XIV em Lourdes: Entre as feridas da Igreja e a esperança dos peregrinos

Convidado · 28 de set. de 2026 · 9:02

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Leão XIV passou o terceiro dia da sua deslocação a França em Lourdes, onde a agenda ficou marcada por dois temas particularmente sensíveis para a Igreja: o fim da vida e os abusos sexuais cometidos no seu seio. Entre os peregrinos que se deslocaram a Lourdes, a paz foi uma das principais intenções.

No santuário de Nossa Senhora de Lourdes, o Papa defendeu o desenvolvimento dos cuidados paliativos e da investigação médica, rejeitou a ideia de uma "morte programada" e lembrou que os doentes e as pessoas com deficiência não são um peso para a Igreja.

"Sei que, para alguns de vós, devido a determinadas patologias e a dores por vezes insuportáveis, o horizonte pode parecer sombrio, incerto e sem saída. Mas nenhuma lei humana deve fazer-vos perder a certeza da vossa dignidade", afirmou Leão XIV. "Em nome dessa dignidade inalienável da pessoa humana, a tentação de provocar a morte sob o pretexto de uma falsa compaixão deve ser firmemente rejeitada. É impossível considerar normal provocar a morte. O que é legal não é necessariamente moral."

O Papa foi ainda mais longe ao afirmar que "ninguém tem o direito, com base em algoritmos laboratoriais, de decidir sobre a vida de determinados embriões ou de determinadas pessoas idosas". E deixou uma afirmação peremptória: "Nunca a medicina deverá tornar-se na serva de uma morte programada."

Durante a visita a Lourdes, Leão XIV abordou também os abusos sexuais cometidos na Igreja. Num encontro à porta fechada com os bispos franceses, exortou a Igreja de França a prosseguir a sua acção perante o "flagelo" dos abusos sexuais e, durante a missa dominical, lançou um apelo à conversão para curar as feridas provocadas pelos erros cometidos no seio da própria Igreja.

"É hoje e não amanhã que nos devemos converter", afirmou. "Essa exigência da conversão envolve a própria Igreja na sua peregrinação terrena. Ela deve ter coragem de viver essa conversão em primeiro lugar, para curar as feridas profundas, as infidelidades e os desvios causados pelos erros cometidos em seu seio."

Leão XIV pediu ainda à Igreja que reconheça as suas próprias falhas: "Devemos colocar-nos humildemente sob o olhar purificador do Senhor, reconhecer as nossas próprias falhas, o que é indispensável para o nosso progresso espiritual".

O tema dos abusos sexuais continua a ser particularmente sensível para a Igreja francesa, cinco anos depois de um relatório ter estimado em 330.000 o número de vítimas menores no seio da Igreja desde 1950.

Em Lourdes, Leão XIV manteve também um encontro privado com sete vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero. No final da reunião, durante uma conferência de imprensa, as vítimas descreveram um Papa simples e disponível para as ouvir, manifestando esperança de que o encontro possa representar o início de um processo de mudança.

Entre os peregrinos que se deslocaram a Lourdes, a paz foi uma das principais intenções. Nuno, que vive em Lourdes, considerou a visita do Papa um acontecimento raro para a comunidade local. "Como somos católicos, temos o gosto de receber o Papa na nossa vila. Esperemos que acabem com a guerra e que tenhamos mais paz."

Questionado sobre os erros cometidos pela Igreja, nomeadamente os abusos sexuais, reconheceu: "Sim, sim, isso é verdade." Sónia, a esposa, defendeu a necessidade de enfrentar directamente os abusos: "Eu penso que sempre existiram essas coisas na Igreja, não é? Só que agora é mais falado. E eu acho que se tem de lutar mesmo contra isso. Enfrentar o problema."

Edivânia veio de Carcassonne para ver o Papa e levou consigo um pedido pela paz. "A paz no mundo. Que acabe a guerra e que todo o mundo abra o coração para Jesus." Para esta peregrina, Lourdes representa sobretudo uma mensagem de fé: "A grande mensagem que ela deixou para nós: escutar sempre o Filho dela, Jesus, sempre rezar o terço e fazer sacrifício pela conversão dos pecadores."

Neuza, que já no sábado tinha passado o dia inteiro no santuário, este domingo chegou às cinco da manhã e não escondeu a emoção quando o Papa passou mesmo à sua frente: "Eu senti uma alegria tão forte que eu queria dar um beijo nele, mas não deu. Ele parou aqui, pegou em duas crianças, deu um beijo nelas. Foi uma emoção muito grande."

Carlos, vive em França há cerca de dez anos, viu pela primeira vez um Papa. "Sente-se uma alegria muito grande para as pessoas católicas como eu. E foi bom ver o Papa. Nunca tinha visto o Papa em toda a minha vida. Então, foi bom vê-lo." Entre os pedidos que trouxe a Lourdes estão "ter sucesso na vida como qualquer pessoa", mas também "que o mundo tenha um pouco menos de guerras e que sejamos um pouco mais compreensivos do que o que somos hoje em dia".

Para o padre Vítor Gomes, sacerdote da paróquia de Orthez, na diocese de Bayonne, a visita de Leão XIV foi marcada por uma mensagem de paz e também pela preocupação com as vítimas de abusos. "Para nós é uma grande felicidade e uma grande alegria. Uma mensagem de paz, de fazer Igreja e também um pensamento para as vítimas que sofreram muito."

Sobre o encontro do Papa com as vítimas, considera que "é muito importante, para dizer que nem todos os padres são assim, e para dizer também a compaixão da Igreja pelas vítimas que ficam marcadas toda a vida".

Oliver, estudante brasileiro que vive actualmente em Portugal, fez questão de viajar até Lourdes depois de saber da visita do Papa. "Quando soube

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