Reportagem · 26 de set. de 2026 · 6:28
Ouça na app Podli 🎧
Siga os seus podcasts favoritos, ouça offline e no carro com CarPlay e Android Auto, e continue sempre onde ficou. Experimente grátis.
Nos últimos cinco anos, os jovens adultos e adolescentes têm procurado a Igreja Católica, com um grande número de conversões. Na missa desta tarde, nos Campos Elísios, a RFI falou com vários lusófonos instalado em França que dão conta disso mesmo. No seu discurso, o Papa Leão XIV também não esqueceu as famílias, os jovens e os recém-convertidos.
Mais de 500 mil pessoas reúnem-se hoje na Praça Concorde e nos Campos Elísios, em Paris, para assistir a uma missa do Papa Leão XIV. Entre os milhares de pessoas que tentavam encontrar o seu lugar na que é considerada a Avenida mais bonita do Mundo, vários lusófonos marcaram presença com bandeiras de Portugal, Cabo Verde ou Brasil.
Sandra, também conhecida por Betty, e Adalberto, o seu marido, são cabo-verdianos há mais de 20 anos instalados em França e neste dia especial para os católico, não poderiam ter ficado em casa.
"Não podia poderíamos ficar em casa. Viemos aqui para para ver o nosso Papa Leão XIV. Eu sou uma pessoa muito crente, então eu tinha que estar aqui desde já para para chegar aqui foi complicado, não tinha o transporte. Saímos de casa às 05h00 para aqui chegar. A minha presença era indispensável. Eu sentia que o Espirito Santo estava comigo. O metro estava muito, muito cheio mesmo, nem dava para respirar. Uma coisa tremenda", explicou.
Os transportes, completamente condicionados à volta dos Campos Elísios, e o forte sistema de segurança instalado à volta da avenida também não desencorajam o português César, a mulher e os filhos a virem até cá para assistir à missa e cumprir um sonho.
"Foi uma oportunidade única, já que moramos aqui perto. Aproveitamos para vir ver o Papa, que era uma coisa que que queria, um dia ir a Roma, ir ao Vaticano, um dia ver uma missa lá também. Era um sonho", descreveu o português.
A vinda do Papa Leão XIV acontece numa altura em que a França se tem vindo a destacar pelo aumento do número de baptizados entre os jovens adultos, um aumento de 28% só em 2026, um fenómeno que despertou o interesse do Papa e que faz com que a França seja vista pela Igreja Católica como um género de laboratório para o renascimento da fé na Europa. Natália está a ver este interesse renovado pela fé na sua casa, nos arredores de Paris, com a filha Clara, de 22 anos, que está prestes a baptizar-se
"Venho até aqui pela minha filha, que vai fazer agora o baptizado este ano. Eu fui baptizada, claro. Em Portugal até. E eu nunca obriguei a minha filha a fazer esse processo até ao catolicismo. Eu tenho outro filho, tenho 27 anos e ele quer casar pela Igreja também. E ele não foi baptizado também. E então ele começou a fazer o processo e a minha filha aproveitou e decidiu ela também de dfazer o baptizado. São os dois. Eu estou a ver que muitas jovens estão a fazer esse processo de baptimo e aproximar da religião e acho bem", explicou Natália.
Timothée, um voluntário francês nos Campos Elíseos constata na sua paróquia esta realidade.
"Entre os meus amigos, eu apercebo-me cada vez mais de uma abertura de espírito. Não sei se isso se deve, digamos, à mudança com a idade, a tornarmo-nos adultos, mas na minha paróquia, sim, vemos que há muito mais pessoas, principalmente jovens, alunos do ensino básico e secundário, que não têm vergonha de vir à missa e de se sentar na primeira fila na igreja para descobrir o que é uma missa, para conhecer a igreja, e eles não hesitam em fazer perguntas. E isso, tenho a impressão de que é algo relativamente novo", detalhou.
Para Sandra, uma crente brasileita instalada na primeira fila para ver o Papa a passar, a vinda de Leão XIV vai servir exactamente para aproximar os jovens novamente da Igreja.
"Eu acho que o Papa é muito humano. Ele é uma pessoa que quer diversificar um pouco a Igreja. No meu ponto de vista, como leiga que eu sou, eu acho que uma coisa extraordinária o que ele está fazendo é tentar trazer os jovens de volta para a Igreja Católica. Eu, como mãe de uma adolescente de 15 anos, eu sei a importância de ter filhos dentro da igreja. Eu cresci e os meus pais eram católicos, meus avós católicos, em uma família católica. Eu estou aqui hoje com parte da minha família, tias, filha, primas, irmã. E eu sei a importância de estar dentro de uma igreja para crescer e ter prioridades na vida e ter um discernimento para seguir a vida de uma maneira linda. Eu acho que a França, com a laicidade que ela tem hoje, os jovens estão mais dispersos. Pode ser que eu esteja errada, mas eles estão mais dispersos", constatou.
Talvez reflexo deste interesse renovado pela Igreja Católica em França, ou da força que esta religião ainda tem no país - em 1960 cerca de 85% da população dizia-se católica e agora apenas 46% se identificam como tal - os bilhetes para esta missa esgotaram em pouco tempo. Mas a organização assegura que tudo vai correr bem.
"Quanto à organização, pelo menos no que diz respeito à coordenação dos voluntários, tudo correu muito bem: a comunicação foi excelente, tudo fluiu perfeitamente, não houve nenhum problema. E, no que diz respeito às pessoas, sim, a maioria delas segue as nossas recomendações sem dificuldade, e isso é bastante agradável. O clima é bom, todo a gente está feliz por estar aqui e a única preocupação que as pessoas têm é: vamos ver o papa? Vamos ver o papamóvel? E isso podemos garantir que vai acontecer. Então, todo a gente está feliz", afirmou Timothée.
Felicidade, emoção e devoção são as palavras de ordem nos Campos Elíseos.
"Eu vou chorar muito, porque eu tenho muita honra de estar aqui pela minha mãe, que está no Brasil. E eu estou trazendo um pouquinho do coração dela aqui hoje, porque eu cresci vendo a minha mãe ser católica e eu tenho orgulho imenso de ser católica. E eu acho que ver os meus pais, meus