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Guiné-Bissau: Campanha de castanha de caju supera expectativas

Reportagem · 28 de ago. de 2026 · 6:34

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A campanha de comercialização de caju de 2026 está a superar as expectativas iniciais. Segundo o Director-Geral do Comércio Externo da Guiné-Bissau, Lassana Fati, apesar de um início pessimista devido às alterações climáticas, a campanha decorreu globalmente bem. Além da tradicional liderança do mercado indiano, o país abriu portas para a China que deve importar cerca de 20 mil toneladas este ano e para o Vietname.

A Guiné-Bissau consolida-se como o 4.º maior produtor em África de castanha de caju e mantém a ambição de reforçar a transformação local nos próximos anos.

Lassana Fati, Director Geral do Comércio Externo, adianta que na campanha de 2026, o preço ao produtor subiu para 650 francos CFA por quilo na capital, e os contratos FOB atingiram o valor de 1500 dólares por cada tonelada à exporter. Praticamente já não há stock no interior do país.

Relativamente à campanha 2026, dados iniciais eram de pessimismo, para ser sincero. No início tivemos problema sério em termos de dados de produção, mas pronto, no meio do caminho constatamos de que não é tão mau, porque devido à mudança climática que afectou algumas regiões do país, felizmente a zona leste teve mais sorte esse ano.

Conseguimos uma quantidade considerável, falando em termos globais daquilo que o país produziu e escoou para Bissau, estamos a falar de 235 mil toneladas.

E até nesse momento já exportámos quase 210 mil toneladas. Isso demonstra claramente que vamos ultrapassar os números de ano passado.

No ano passado conseguimos exportar 210 mil toneladas, até nesse momento, no mês de agosto, já estamos com quase a mesma média do ano passado.

E relativamente ao preço ao produtor, houve uma subida considerável, porque o preço de referência era de 410 (francos CFA) por tonelada, ou seja, por quilo, e já estamos a comercializar aqui em Bissau com um preço muito elevado de 650 (francos CFA) por cada quilograma.

Isso demonstra que, se comparamos com o ano passado, onde o preço médio era de 500 francos, esse ano estamos com um preço médio de 525 francos por cada quilograma.

E em termos de preço FOB que é (o preço de) exportação, há melhoria considerável em termos de contratos que foram assinados, estamos a falar de 1400 dólares a 1500 dólares FOB Bissau, isso demonstra que os exportadores também conseguiram assinar bons contratos e, em termos globais, podemos dizer que estamos a ter uma campanha em crescimento.

Se comparamos os últimos 4 anos, o país conseguiu realizar campanhas positivas em termos de comercialização e exportação da castanha de caju.

Ainda há castanha no interior da Guiné-Bissau?

Não, não, não. Pelos dados que dispomos das nossas delegações regionais, estamos a falar de menos de mil toneladas que podem estar em diferentes zonas do país, mas devido ao preço que está a ser aplicado nesse momento, não há condições para manter a castanha no interior do país. Penso que há pouca quantidade da castanha a nível interior.

O caju vai essencialmente para a Índia, mas o governo tem tentado nos últimos anos abrir novos mercados. Conseguiu?

Sim, conseguimos abrir o mercado chinês, devido à essa tarifa zero que está a ser aplicada pelo governo chinês, há uma solicitação considerável dos empresários chineses.

Também temos o mercado do Vietname que, devido à facilidade que foi criada pelo governo norte-americano este ano, há vários compradores que vieram também do Vietname. A Índia mantém-se como principal mercado de exportação da nossa castanha.

A China vai comprar alguma quantidade considerável? Tem ideia de quanta quantidade?

 

Sim, penso que cerca de 20 mil toneladas vai para a China ainda nesse ano 2026.

O governo sempre tem tentado a transformação local. Como é que está esse processo?

Está num bom caminho, acabamos de visitar o CPA, que é um centro de produção agrícola, que está na zona industrial de Bra, onde são embaladas castanhas já transformadas a nível nacional.

Há um projecto em curso de transformação de cerca de 30 mil toneladas que eu penso que daqui a dois anos vai ser uma realidade.

Há também um financiamento de parte do Banco Africano para o Desenvolvimento, que financiou uma empresa local que está a tentar transformar cerca de 5 mil toneladas. Isso demonstra que há uma dinâmica...

E esse ano vai ser difícil 5 mil toneladas, mas penso que vão fazer 2 a 3 mil toneladas. Há uma dinâmica interessante nesse sentido, penso que uma cooperação também que pretendemos assinar com o governo ivoiriense, neste caso com a Costa do Marfim, no sentido de apoiar tecnicamente e financeiramente as empresas nacionais no sentido de transformar uma quantidade considerável.

Já está prevista uma visita oficial do ministro (do Comércio) à Costa do Marfim no sentido de tentar explorar o mercado ivoiriense em termos de nova tecnologia, em termos de financiamento, para ver como dar um novo impulso ao setor de transformação local da nossa castanha.

Em termos de resultados monetários para o país, quanto é que o país poderá arrecadar este ano com a campanha de caju?

É difícil dizer os números com exatidão, mas penso que cerca de 300 a 400 milhões de dólares conseguimos ter ao longo desse processo de comercialização e exportação da castanha de caju, mas o relatório final da campanha vai revelar os números reais que circularam ao longo desse processo.

A Guiné-Bissau situa-se entre os principais produtores do caju. Em que lugar é que estamos neste momento?

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