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Mayotte: Lecornu tenta acelerar reconstrução e travar imigração clandestina

Vida em França · 26 de ago. de 2026 · 9:03

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Deslocação do primeiro-ministro francês a Mayotte. Esta quarta e quinta-feira Sébastien Lecornu tenta acelerar a reconstrução do arquipélago, que tarda em concretizar-se um ano e meio depois da passagem devastadora do ciclone Chido. Mayotte é uma deslocação estratégica para os pretendentes ao Eliseu. O arquipélago concentra várias temáticas que vão dominar o sufrágio: imigração, insegurança e habitação.

A reconstrução é “demasiado lenta” diz o chefe de Governo que promete fazer “sair do papel” os projectos previstos pela lei de Agosto de 2025 destinada a reparar os danos provocados pelo ciclone de 14 de Dezembro de 2024. A lei prevê um montante de cerca de 4 mil milhões de euros, acompanhado de uma estratégia quinquenal para 2026-2031.

Mayotte é uma deslocação estratégica para os pretendentes ao Eliseu, as eleições presidenciais estão marcadas para o próximo ano (18 de Abril e 02 Maio 2027). O arquipélago concentra várias temáticas que vão dominar o sufrágio: imigração, insegurança e habitação.

“Para ser franco, as pessoas não esperam grande coisa” desta deslocação de Sebastien Lecornu, afirma Manuel Vila Nova, professor franco-são-tomense residente em Mayotte há 14 anos. Segundo o docente, “as pessoas não estão a ver grandes investimentos” e “tudo está muito lento”. Muitos problemas de Mayotte são anteriores ao ciclone e foram agravados pelo Chido, nomeadamente nas escolas, estradas, saneamento e transportes.

A imigração clandestina é outra das principais preocupações do arquipélago, embora Manuel Vila Nova rejeite que seja o único problema. “Eu não diria que é o problema essencial”, apontando também a falta de emprego e de investimento.

Todavia, a chegada de novos fluxos migratórios, provenientes de vários países africanos e do Médio Oriente, está a alimentar o debate político e o crescimento da extrema-direita.

Manuel Vila Nova identifica uma forte adesão eleitoral a Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita União Nacional, embora sublinhe que essa escolha não significa necessariamente uma identificação ideológica total com a líder da extrema-direita francesa. “Não votam nela por prazer de votar por Marine Le Pen. Votam em Marine Le Pen porque ela diz que vai resolver o problema da imigração (…) Há uma aderência forte nesse sentido, porque as pessoas querem que o problema de imigração seja resolvido no terreno”, conclui o professor.

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