Quarenta anos a dar notícias. A construir credibilidade através do tom. A escolher, todas as noites, entre serenar e alarmar. Rodrigo Guedes de Carvalho é um dos jornalistas mais reconhecidos de Portugal — e acaba de publicar o seu décimo primeiro livro, um romance onde a pergunta central é a mesma que guiou esta conversa: escrever para quê, e para quem, num mundo que está a perder palavras?
Destaques desta conversa: Por que razão nunca quis ser jornalista — e o que aprendeu ao sê-lo durante 40 anos O tom como a decisão editorial mais importante de um pivô — e o que o distingue de um robô A pandemia como laboratório da polarização e origem da desconfiança no jornalismo O que quis dizer com «juntar 500 jornalistas numa sala» — e porque o disse na promoção de um romance Ava Carina, a ministra da Influência: o camaleão ético que reconheceu ao longo da vida A inteligência artificial como preguiça organizada — e o estagiário que pediu à IA para escrever a peça Estamos a perder palavras — o empobrecimento do vocabulário e a alimentação dos extremismos «Rodriguinho, já chegaste então» — o abraço ao António Lobo Antunes na Feira do Livro «Quando um dia eu morrer, o que eu quis dizer está nos livros, muito mais do que no jornalismo» O jornalismo que, com medo da concorrência, instila ansiedade em vez de serenar
«A literatura é uma forma inútil, mas maravilhosa, de as pessoas se conhecerem sem nunca se terem visto.»