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MDFM quer maior abertura a iniciativa privada, nomeadamente para energia

Convidado · 14 de set. de 2026 · 10:03

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A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação.

Nesta quarta-feira, ouvimos Moisés Viegas, líder e cabeça de lista do MDFM - Movimento Democrático Força da Mudança, na oposição. Entre as medidas preconizadas por esta formação, destaca-se uma maior abertura à iniciativa privada, nomeadamente no que tange à empresa de Água e Electricidade.

RFI: Quais são as prioridades para o país a seu ver?

Moisés Viegas: Por que é que nós não conseguimos dar a resposta a nível da questão do desemprego? Porque o Estado é o maior empregador, para não dizermos praticamente o único empregador. Uma economia que quer ser funcional, não pode ser refém do Estado. Nós temos que criar condições para que efectivamente o sector privado possa dinamizar. Claro que temos que criar condições a nível de grandes infra-estruturas e abrir o país para que efectivamente, quer nacional e quer as pessoas que vêm do estrangeiro, possam ter o mercado livre para fazer os seus investimentos. Nós falamos muito da questão do turismo. É preciso criar algumas infra-estruturas essenciais, como, por exemplo, a própria estrada. Se nós tentamos ligar agora a Zona Sul, que é muito forte em turismo e também agricultura, as estradas estão completamente degradadas e é preciso começarmos por aqui. Necessariamente, eu tenho que pensar nas vias de comunicação que vão fazer essa comunicação entre o meio rural e o meio urbano.

RFI: Um dos pontos que também tem sobressaído muito nestes últimos meses é a questão da energia, dado que o país conheceu uma grande crise de energia. O que é que pensam fazer relativamente a esse aspecto?

Moisés Viegas: O problema da energia em São Tomé é muito profundo e qualquer país que vive à base dos geradores, não vai conseguir ter sustentabilidade energética. É preciso nós pensarmos em fontes de energia primeiro, que têm um custo mais baixo, energias sustentáveis. Também a energia que nós neste momento utilizamos, que é à base de geradores é que tem contribuído, de certa forma, também para que haja aqui um espaço para a corrupção, desde o desvio de combustível, desvio das peças, sobrefacturação sobre as peças. Portanto, se nós continuarmos a depender da energia à base de gerador e sem transparência, teremos sempre o problema de energia. Eu entendo que a empresa EMAE (Empresa de Água e Electricidade) não deveria ser gerida pelo Estado.

RFI: Mas está a falar de uma privatização ou de uma parceria público privado?

Moisés Viegas: Eu vou pela privatização, porque eu entendo que quem deve gerir, fazer negócio, são os privados. O Estado está aqui para supervisionar, cobrar impostos e exigir, de certa forma, a qualidade do serviço.

RFI: Relativamente a outros aspectos, mencionou, nomeadamente a saúde. Falou-se muito ultimamente da questão de se fazer um hospital de referência. Qual é o vosso ponto de vista sobre esta questão?

Moisés Viegas: Pensar num hospital de referência não é mau, porque se tivermos um hospital de referência, isso de facto vai ajudar de certa forma, quer a impulsionar a própria economia, mas também a dar suporte ao turismo que nós tanto pregamos. Mas tem aqui um 'porém'. Eu não posso de maneira nenhuma pensar num hospital de referência, quando eu não consigo manter o hospital que eu tenho. Se conhece São Tomé, o Hospital Ayres de Menezes, que é o único que nós temos neste momento a nível de São Tomé, a cama onde dorme o paciente foi a cama que nós herdamos do colono. Até a botija de oxigénio é uma botija que já tem décadas. Portanto, eu não posso pensar num hospital de referência quando eu não tenho a capacidade de reformar e organizar aquilo que tenho na mão. E você também não pode pensar num hospital de referência sem investir nos recursos humanos, que é outro ponto também 'chave' a nível da saúde. Estou a falar, por exemplo, a nível dos médicos. Precisamos de mais especialistas. Daí que eu entendo que nós devemos descentralizar os serviços. A descentralização, já temos em alguns distritos. Mas precisamos criar melhores condições nesses postos médicos a nível distrital, para poder descongestionar um pouco o Hospital Ayres de Menezes. E a nível do Ayres de Menezes, precisamos de fazer uma reforma profunda para um melhor serviço para os utentes. Nós temos o problema dos cuidados básicos essenciais. E temos problemas até de medicamentos. Falta de coisas básicas, muitas vezes como álcool, como oxigénio, como luvas. Portanto, é preciso nós darmos uma atenção a tudo isso, mas acima de tudo, é preciso que haja uma administração transparente.

RFI: Outro dos pelouros, também considerados 'chave' é a questão da educação. Qual é o vosso plano relativamente a este aspecto?

Moisés Viegas: O MDFM tem uma visão de que a educação a nível de pré-escolar até pelo menos o oitavo ano, devia ser gratuita. O Estado devia criar condições para que do primário até ao oitavo ano, as crianças poderiam estudar gratuitamente. O Estado devia assumir essa responsabilidade. E podia aqui aliviar também os pais e criar uma oportunidade igual para todas as crianças. Porque, por incrível que pareça, em muitas comunidades, vai encontrar crianças que deviam estar na escola e não estão, porque os pais alegam não terem condições para poder matricular e dar o seu acompanhamento. Mas também eu entendo que a educação é muito mais do que isso. Temos que olhar para os professores. Eu penso que devemos dar uma atenção especial aos professores.

RFI: Paralelamente, outro assunto que também está a ganhar cada vez mais importância é a protecção do meio ambiente, dado que nestes últimos meses São Tomé e

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