Convidado · 14 de set. de 2026 · 10:03
Ouça na app Podli 🎧
Siga os seus podcasts favoritos, ouça offline e no carro com CarPlay e Android Auto, e continue sempre onde ficou. Experimente grátis.
A campanha para as legislativas, autárquicas e regional de 27 de Setembro em São Tomé e Príncipe está lançada desde 12 de Setembro. Neste âmbito, acompanhamos este período pré-eleitoral, dando a palavra às formações candidatas à governação.
Nesta quinta-feira, ouvimos Vasth Santos, secretária-geral da ADI -Acção Democrática Independente no poder, e candidata na lista encabeçada por Américo Ramos, líder do partido e primeiro-ministro cessante. Ao fazer um balanço positivo da governação do seu partido, apesar das divisões internas, Vasth Santos refere que o programa da ADI dá especial realce à saúde e às melhorias económicas.
RFI: Qual é o teor do vosso programa?
Vasth Santos: Nós dividimos o nosso programa em sectores e um deles é a saúde, como parte do sector social e melhorar, claro, as nossas finanças, o sector económico do país. Mas o enfoque mesmo é a melhoria da saúde.
RFI: Qual é o balanço que a ADI faz enquanto força que esteve a governar o país, apesar das tribulações que houve pelo meio?
Vasth Santos: Poderia ser 100% positivo se não tivesse essas tribulações internas, porque vimos que foram quatro anos de uma legislatura muito conturbada, onde viu-se claramente que a divisão interna e o problema interno da ADI estendeu-se a toda a governação, estendeu-se para o Parlamento, onde criou um bocadinho de perturbação, onde não se pôde cumprir por completo a agenda do ADI enquanto governação. Mas em termos gerais, foi positivo porque nós conseguimos continuar muitas coisas boas que nós começamos desde o governo passado. Não permitimos, claro, que a instabilidade que se instalou dentro da ADI fosse perturbar todo o resto do programa, mas conseguimos sim. Posso dizer que foi um balanço positivo, foi uma governação conturbada, mas conseguimos manter o equilíbrio e seguir algumas coisas que havíamos projectado no início dessa legislatura, que teve dois momentos. Um momento até Janeiro de 2025 e o segundo momento, de Janeiro de 2025 a agora, até ao fim dessa legislatura. Então podíamos fazer mais, mas fizemos um bom, um bom caminho até agora. O balanço de governação é bom.
RFI: Como é que encaram este período eleitoral, dado que Patrice Trovoada apelou ao boicote do escrutínio?
Vasth Santos: É um desafio bom e eu acredito que o povo são-tomense já atingiu uma maturidade política boa para não seguir esse apelo. Temos estado a constatar a maturidade do povo. Quando vamos ao terreno, conversamos com as pessoas. Eu acredito piamente que o nível de maturidade que atingimos do povo não vai responder a esse apelo, que é um apelo infeliz, porque em democracia não pode um democrata apelar às pessoas para não irem às eleições, não irem à assembleia de voto, a boicotar as eleições. Nós acreditamos na maturidade política do povo são-tomense e acreditamos que esse apelo não surtirá efeito e o povo não seguirá o apelo. Estamos a fazer todo o trabalho democrático de sensibilização para que este apelo não tenha a sua correspondência.
RFI: Relativamente ao balanço que fazem da vossa governação, quais são os aspectos que gostaria de destacar relativamente àquilo que foi conseguido?
Vasth Santos: Nós conseguimos três coisas, para mim, que mexem com a vida da sociedade: primeiro, nós conseguimos manter a estabilidade política, permanecer numa estabilidade onde houve envolvência de todos os outros partidos. Nós conseguimos, com o apoio e grande empenho do primeiro-ministro, ministro das Finanças, conter o aumento do valor do combustível, apesar de todo o cenário internacional. Nós conseguimos avançar e já está na fase final o concurso para a construção do Hospital de Referência. Um processo que vem desde 2017, creio eu. E é um processo que também não concluiu atempadamente por causa mesmo da questão da instabilidade política. Então, nós estamos a fazer coisas que respondem à expectativa do povo.
RFI: Durante também o mandato da ADI no poder, tiveram o apoio do Banco Mundial e do FMI que fazem preconizações relativamente à governação e um dos aspectos é, designadamente, mais impostos.
Vasth Santos: É tudo uma questão de governação. Acredito que o Governo, na pessoa do ministro das Finanças e do primeiro-ministro, têm sabido lidar com essa situação, com essas exigências do Banco Mundial. E atempadamente, conforme as nossas finanças permitirem alguma dessas obrigações, vamos fazendo as outras e vamos conciliando.
RFI: Outro aspecto que também esteve no centro das atenções nestes últimos meses, foi a crise energética que atravessaram. Como é que encaram o futuro relativamente à questão energética? Como é que vão fazer com que se possa resolver definitivamente esse problema?
Vasth Santos: Pronto, com o apoio do Banco Mundial, nós, graças a Deus, com a estabilidade política, também temos em carteira, já num processo quase final da instalação de quase metade da produção de energia limpa, quase metade da necessidade que temos de produção de energia limpa, para diminuir os custos com aquisição de combustível e da forma actual de produção de energia. Nós passamos por um período conturbado de quase 11 meses, se eu não estou em erro. Foi mesmo conturbado, mas nós conseguimos fazer aquisições de novos geradores. Mas nós sabemos que a aquisição de gerador, por si só, não resolve o problema de energia. Só estanca por um período porque os custos com a aquisição do combustível são muito elevados. Mas nós estamos a trabalhar e acredito que, nos próximos meses, já estará instalado no país para a produção de metade da energia que nós precisamos de forma limpa e energias renováveis. Então, esse é um dos caminhos que nós projectamos e estamos a conseguir concluir para a melhoria da energia em São Tomé e Príncipe, que vai baixar também prov