Convidado · 5 de out. de 2026 · 17:54
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Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais deste domingo no Brasil deixam tudo em aberto para a segunda volta a 25 de Outubro. Flávio Bolsonaro venceu com 47% dos votos, à frente do actual Presidente Lula da Silva, que obteve 45%. Este é “um cenário de alta polarização” e de duas visões do Brasil, explica Giuliano Braga, professor de Relações Internacionais. De um lado, o “bolsonarismo”, representado por uma família que quer consolidar “uma dinastia política” no país e, do outro, o “lulismo”, incarnado por Lula da Silva, “uma das figuras mais emblemáticas dos últimos 40 anos” no Brasil. “O futuro do Brasil está em jogo” e decide-se daqui a três semanas. Oiça a análise neste programa.
O Brasil avança para a segunda volta das presidenciais a 25 de Outubro. Flávio Bolsonaro venceu a primeira volta este domingo com 47% dos votos, à frente do actual Presidente Lula da Silva que obteve 45%. Em reacção aos resultados da primeira volta, Flávio Bolsonaro anunciou “o fim da era do PT”. Lula da Silva admitiu ter estado convencido que ia ganhar as eleições na primeira volta, mas mostrou-se optimista para a segunda volta, que definiu como um "prolongamento".
Para falarmos sobre estas eleições, convidámos Giuliano Braga, professor de Relações Internacionais na Universidade Portucalense e na Universidade do Minho, em Portugal. Para o cientista político, confirmou-se “um cenário de alta polarização” e há duas visões do Brasil em jogo. De um lado, o “bolsonarismo”, representado por uma família que quer consolidar “uma dinastia política no Brasil” e, do outro, o “lulismo”, incarnado por Lula da Silva, “uma das figuras mais emblemáticas dos últimos 40 anos” no Brasil, mas que ainda não tem uma figura para a “sucessão”.
Olhando para os candidatos que foram eliminados nesta primeira volta, politicamente no espectro da direita, à partida poderiam dar vantagem para Flávio Bolsonaro, ainda que Lula da Silva possa tentar atrair eleitores que prefeririam “uma terceira via”. Há, ainda, um factor que pode ser decisivo: a abstenção. “A abstenção pode ser uma surpresa que poderia dar um tempero a mais para essa corrida eleitoral da segunda volta”, resume Giuliano Braga. “O futuro do Brasil está em jogo” e é impossível fazer apostas sobre quem ganha a segunda volta.
RFI: O que é que explica esta vitória de Flávio Bolsonaro na primeira volta, ao contrário do que previam as sondagens?
Giuliano Braga, Professor de Relações Internacionais: “Olhando os números tanto do Flávio Bolsonaro quanto do Lula [da Silva] e dos outros, a gente consegue ver um cenário de alta polarização, com a maioria de um lado, a maioria do outro, e os outros com uma margem muito distante nos 2%. O que explicaria Flávio Bolsonaro? Uma certa avaliação do governo Lula por parte da população brasileira tem um certo peso nessa votação maior. É interessante porque nós vemos uma expressão muito grande do Flávio Bolsonaro no Sul, isso já era mais esperado, mas no Norte foi um dos pontos de grande diferença - era uma zona historicamente mais voltada para o PT, para o Lula.”
As sondagens não apontavam para estes resultados. Foram as sondagens que falharam ou a mobilização eleitoral da direita foi superior ao esperado?
“Uma situação que aconteceu nestas eleições de 2026, ontem, foi uma abstenção acima do normal também. Então teve, além da questão política - claro, da mobilização tanto de um lado quanto do outro, mas aparentemente a mobilização do lado do Flávio Bolsonaro foi mais eficaz do que a mobilização do lado do Lula - nós tivemos uma abstenção de mais de 20%. Mais de 20% para o Brasil é muita coisa, dado que a gente está numa eleição que é obrigatória e o não voto confere multa. Foi uma característica muito própria, mais uma mobilização muito concentrada e coordenada da direita, principalmente ao nível dos estados.”
Essa abstenção pode definir alguma coisa em termos da segunda volta?
“A abstenção, na verdade, a tendência que a gente observa – embora a eleição de 2022 tenha sido uma excepção - mas a tendência que a gente observa é que geralmente a abstenção aumenta da primeira volta para segunda volta. A abstenção poderia vir a calhar a algum dos lados, mas a abstenção é um factor incontrolável, é uma surpresa tanto para um lado quanto para o outro. A abstenção é um factor que poderia vir a calhar, mas é um factor que ninguém consegue controlar, até porque ninguém deveria controlar a abstenção dado o princípio da democracia. Por isso, a abstenção pode ser uma surpresa que poderia dar aí um tempero a mais para essa corrida eleitoral da segunda volta.”
E a reserva de votos dos candidatos agora eliminados? Como são mais à direita, mais do campo conservador, vão automaticamente para Bolsonaro? Ou é possível Lula recuperar terreno, inclusivamente tendo em conta esta abstenção?
“A segunda volta traz um aspecto muito interessante a nível de análise política porque o período entre a primeira e a segunda volta é um período de intensas negociações. Na verdade, é o período em que os candidatos que vão disputar a segunda volta tentam trazer para os seus lados os outros candidatos. Neste caso, nesta eleição específica, do jeito que aconteceu, nós temos um período de negociação muito interessante, porque nós estamos negociando 2%, então são de dois em dois por cento. Os candidatos que ficaram abaixo são ali mais do espectro da direita. Agora, o convencimento de Lula deveria também ser para atrair eleitores desse eleitorado que quis ficar fora dos pólos da polarização, apostar em uma possível terceira via para reconhecerem na continuidade do governo o projecto de país.
No caso, Bolsonaro tem uma vantagem, dado q