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Cabem Todes é um programa de rádio criado por Pip Marinho em parceria com o TBA (esse mesmo, o que não fica no Bairro Alto) onde memórias, histórias pessoais e experiências de vida se misturam com a programação do espaço. Todas as semanas, na Futura, diferentes vozes encontram lugar para falar de arte, identidade e o que nos atravessa. Neste episódio, Pip retoma o fio condutor iniciado no episódio e apresenta-nos a primeira parte de um encontro com Piny. Piny (nome artístico de Anaísa Lopes) é bailarina, coreógrafa, arquiteta, pedagoga e performer, nascida em Lisboa com raízes portuguesas e angolanas. O seu percurso passa pela dança contemporânea, pela cultura hip-hop, pelo clubbing e pelo ballroom, e o seu trabalho tem sido, desde sempre, uma exploração da necessidade humana de criar rituais de comunidade e práticas de corpo. Para Piny, o corpo é experiência da alma e espaço de expressão física e emocional — e é a partir dele que tem questionado a sua própria identidade enquanto artista que constrói identidade para outros. Mas a.travessa.da, a sua criação mais recente — que passou pelo DDD e chega agora ao TBA — coloca uma questão que nunca tinha estado em cima da mesa: como é que uma coreógrafa, bailarina e intérprete faz um espetáculo de dança enquanto recupera de uma cirurgia? Desta vez, Piny teve de transcender o corpo através da palavra.