Vida em França · 22 de mai. de 2026 · 17:29
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Há dias em que queremos “fugir para longe da confusão” e é assim que nos encontramos nos braços de “Odore dell’Asfalto”, uma canção do franco-italiano Carbeau e da portuguesa Maro, que é o primeiro single do novo disco de Carbeau. O álbum também se chama “Odore dell’Asfalto” e é uma viagem entre Paris, Roma, Lisboa e Rio, à boleia de textos que transpiram saudade, que se cantam em português, francês e italiano e que cruzam sonoridades oriundas de uma cartografia musical e sentimental entre terra e mar. Fomos conhecer Carbeau em Paris.
Carbeau é o nome artístico do músico franco-italiano Tommaso Taddonio, que nasceu em Paris, dividiu a infância e adolescência entre Paris e o Rio de Janeiro, estudou no prestigiado Berklee College Of Music, viveu nos Estados Unidos, foi pianista da banda de indierock “The Lemon Twigs”, com a qual andou em digressão mundial entre 2018 e 2020 e fez, nomeadamente, a primeira parte dos Artic Monkeys no Reino Unido.
Em 2023, lançou o primeiro disco em nome próprio, intitulado “Madrugada”, para o qual fez uma reedição em 2024 com mais canções, “Madrugada+ Tramonto”, e agora, em 2026, lança “Odore dell’Asfalto”. “Odore dell’Asfalto” é um trabalho mais intimista, com mais texto e poesia, escrito e composto de um trago num quarto introspectivo em Paris, alude a canção “Quella Stanza di Paris”. Aqui, o tom é mais contemplativo e onírico, as canções transpiram saudade e são - talvez - a banda sonora cinematográfica de uma vida poética.
“Este é um disco muito mais pessoal, muito mais íntimo, mais acústico e com menos artifícios. Acho que me encontrei, de verdade, neste novo projecto”, resume Carbeau, explicando que “Odore dell’Asfalto” é “o cheiro do asfalto que representa a cidade, o barulho, os cheiros, a intensidade que uma cidade pode ter e essa vontade de escapar”. No fundo, como escreveu e canta Maro nessa música, a vontade é “fugir para longe da confusão”.
“Odore dell’Asfalto” é a continuidade mais contemplativa da viagem iniciada em “Madrugada+Tramonto”, uma jornada às raízes do cantautor, que vai buscar os ritmos musicais, as influências e as línguas dos países onde viveu. Por aqui, canta-se em português, italiano e francês. “Eu sempre fiz isso desde que comecei a escrever letras na minha música porque acho um jeito muito interessante de ir buscar emoções. Cresci falando português, ouvindo italiano, falando francês com a minha mãe, e são todas línguas que sinto que conheço bem, não necessariamente na língua, mas na cultura e em que tudo o que isso representa”, conta. Daí vêm os ritmos também. Em criança, começou por tocar bateria no Brasil e ficou marcado por esses ritmos até hoje. Quanto à harmonia, inspira-se na música clássica italiana e quanto às letras e poesia recorre também ao francês. “Gosto de misturar as coisas. Musicalmente e muito brasileiro, misturado com aquele ‘cantautorato’ italiano”, descreve. Também se ouvem notas do 'tres', um instrumento cubano, a fazer pensar na guitarra portuguesa e no bandolim italiano, mas que também dá essa cultura sul-americana à cor do álbum.
Vale a pena ouvir também “Madrugada+ Tramonto”, um projecto mais electropop, feito de música festiva e solar para dançar “comme un été”. “Era um trabalho diferente. Eu estava ainda à procura do que queria exprimir com a minha música. Não tinha uma linha directiva muito definida ainda e eu queria fazer algo parecido com o que escutava nesse momento, como Polo & Pan e outros artistas electrónicos dessa geração”, acrescenta.
Pode ouvir a conversa neste programa.