Vida em França · 17 de jun. de 2026 · 10:27
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A diáspora cabo-verdiana em França reuniu-se na região de Paris, numa fan zone inédita, para apoiar os Tubarões Azuis contra a Espanha. Este evento reuniu mais de 1.500 pessoas, com animação, música e muita emoção na estreia de Cabo Verde no Mundial de Futebol 2026.
Oficialmente, Cabo Verde conta em França com cerca de 30 mil dos seus nacionais, mas a realidade mostra outros números já que muitos descendentes de cabo-verdianos têm só nacionalidade francesa e muitos outros chegam a França com a sua nacionalidade portuguesa. Isto faz da diáspora de França, a terceira maior do arquipélago após Portugal e os Estados Unidos.
Face ao apuramento dos Tubarões Azuis para o Mundial de 2026 e o jogo de estreia contra Espanha, várias associações da diáspora meteram mãos à obra para organizar um evento à altura deste acontecimento mundial. Com coordenação da Federação das Associações Cabo-Verdianas de França, a diáspora cabo-verdiana criou uma fan zone de Cabo Verde em Villiers-le-bel, a cerca de 40 minutos de Paris.
Os bilhetes esgotaram, e não faltaram os ingredientes principais para o apoio à selecção: música, comida e muita animação. Como sublinha Fernanda Cabral Semedo, antiga presidente da Federação das Associações Cabo-Verdianas, os cabo-verdianos de França não quiseram ficar de fora nesta grande festa.
"Quando vimos Cabo Verde apurado pela primeira vez na História, um país pequeno, assim seleccionado para a Copa do Mundo, é lógico. É um evento mundial e não podemos ficar de fora. Nós aqui em França, a Federação das Associações Cabo-Verdianas, através do nosso presidente Wilson da Graça, temos um staff por detrás desta organização em conjunto com as nossas associações. E nós aqui em França somos uma diáspora numerosa e não podemos ficar de fora. A ideia surgiu e a união faz a força", declarou a dirigente associativa.
De transportes públicos ou de carro, os cabo-verdianos foram chegando a Villiers Le Bel, quase todos trajados a rigor com camisolas e bandeiras. Alguns vieram com amigos, muitos estavam em família e alguns vieram de longe, como explicou Alcides Gomes Semedo, presidente da Associação Domingos Ramos, que actua em Villeneuve-Saint-Georges, e participou na organização do evento.
"Não houve nenhuma dificuldade na organização porque já temos uma rede a nível nacional, não só em Paris. Há pessoas que vêm de Marselha, de Nice também", indicou o presidente da associação Domingos Ramos.
Dentro do pavilhão alugado para o evento, a energia foi contagiante do início ao fim. Antes do jogo houve batucada, durante o intervalo concertos e até um DJ. Cá fora, um campo de futebol destinado a entreter os mais jovens. Em França, muitas das associações cabo-verdianas consagram uma parte da sua actividade ao desporto, mobilizando os mais jovens para a prática de diferentes modalidades com destaque para o futebol tanto masculino como feminino. O grande objectivo é motivar os jovens, mas sobretudo, através do desporto, mostrar a importância da educação nos seus percursos de vida.
Com mais de 60 voluntários num evento que acolheu 1.500 pessoas, o que implica o respeito de regras muito rigorosas, ainda não há um evento definido para os próximos jogos de Cabo Verde até porque os horários de difusão em França são de madrugada.
Durante 90 minutos, os cabo-verdianos de França sustiveram a respiração a cada ataque espanhol e vibraram com as defesas de Vozinha. Para a diáspora, esta é uma selecção de ouro pelo seu talento, mas sobretudo, porque representa todos aqueles que longe do seu país continuam a torcer por Cabo Verde.
E o primeiro objectivo deste Campeonato do Mundo já foi atingido: mostrar que Cabo Verde consegue! Após a apoteose do empate face à Espanha, os cabo-verdianos em França já só pensam em vitórias e na passagem à próxima fase do Mundial.