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Curta metragem lusa de escola em competição na selecção oficial de Cannes, secção La Cinef

Vida em França · 13 de mai. de 2026 · 7:45

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"Onde nascem os pirilampos", da portuguesa Clara Vieira é uma curta metragem em competição no Festival de Cinema de Cannes. Dois adolescentes não se atrevem a assumir uma relação amorosa num filme que alerta também para a consciência ecológica. A obra integra a selecção La Cinef, consagrada aos filmes de escolas de cinema.

A realizadora, estudante da Escola Superior de Teatro e Cinema em Portugal, chega, desta feita, a um dos mais prestigiosos festivais da sétima arte do mundo. Após uma estreia no Indie Lisboa, ela começa por reagir a enfim, a esta sua selecção para Cannes.

Foi uma grande surpresa porque não estava nada à espera, não é? Isto é uma coisa que não costuma a acontecer. Então daí pronto, a minha reacção.

E então, quando surgiu a notícia, a sua sensação foi o quê? De incredulidade?

Sim, basicamente isso. Mas também porque, como estou ainda a terminar a escola, ainda tenho muitos trabalhos para fazer. Ainda tenho muita coisa a acontecer e por isso a notícia foi um bocado "overwhelming" [avassaladora] nesse sentido.

Precisamente, é um filme de escola ou porque está integrado de facto, lá onde concorrem filmes precisamente de escolas de cinema, como é o caso da sua, que é uma Escola superior de teatro e cinema. Ia perguntar-lhe para chegar a este produto final como é que foi, por exemplo, a selecção do elenco e a rodagem ?

 

A selecção do elenco nós fizemo-lo antes de ter o argumento escrito. Ou seja, foi um processo muito colaborativo com os actores. Por acaso, uma coisa que acontece na nossa equipa que não acontece com mais nenhuma outra equipa a nível profissional, é o facto de nós nos conhecermos há três anos, não é?

Então nós trabalhamos juntos há três anos e por isso já temos uma dinâmica de turma criada ali, relações pessoais também. E acaba o trabalho por ser muito mais fácil nesse sentido.

 

Quem são estes actores que estão a dar corpo ao seu filme?

O Miguel Melro é um rapper. Ele faz batalhas de rap na Liga Knock Out, mas também é actor. E depois os outros quatro são amigos mesmo. E também são actores. Tiraram a formação na Academia Contemporânea do Espectáculo, que foi onde eu também fiz teatro.

O que é que pretendeu com este argumento?

 

Ou seja, o que eu queria era uma forma também de documentar um grupo de amigos, porque a ideia de grupo é uma coisa que me fascina muito. Eu acho que a ideia do grupo é uma coisa forte. Ou seja, também por conhecer o trabalho de actor, não é porque também já tenho formação em teatro.

Acho que uma coisa que me interessava era trabalhar com actores no processo criativo, ou seja, o actor como criador também. E acho que isso depois sente se bastante no filme que eles fizeram parte desse processo.

 

Então os pirilampos produzem luz, mas sem produzir calor. Vão normalmente acasalar em Maio e Junho. E na altura, machos e fêmeas produzem luzes para comunicar. Há um fascínio enorme em relação aos pirilampos e em relação a este processo, nós vêmo-lo, aliás, no filme. O que é que pretendia efectivamente fazer em torno dos pirilampos para este filme?

 

A ideia dramatúrgica do filme era que nós experienciássemos o processo emocional das personagens através da luz. À ideia dos pirilampos surgiu por causa da questão ecológica que o filme também aborda. Ou seja, neste caso, a extinção dos pirilampos, que é uma coisa que está posta em causa no filme de forma um bocado subtil, mas é um factor ambiental, digamos assim, que está em causa.

E por isso pareceu-me uma boa relação. Também porque visualmente eu acho bastante mágico, na medida em que para mim, haver pirilampos é uma ideia abstracta, porque eu nunca os vi. Então também tem esse lado.

 

É um grupo de jovens que acampa. Nós vemo los comer, rir-se. E então o Melro de que falava vai a procura de pirilampos e leva consigo uma jovem para chegar a este produto final em Cannes. Disse que tinha também formação na área de teatro e referências cinematográficas. Quais são as que tem? O que é que gostou de ver? O que é que privilegiou em relação ao cinema que também foi consumindo para chegar agora aqui à fase final da sua formação superior?

É difícil porque para mim é mesmo uma mistura de tudo. No processo criativo não passa só pelo cinema, referências cinematográficas, passa também por referências...

Teatrais, dizia, que gostava muito...

Teatrais. Sim, também por bandas desenhadas. Muitas coisas, então. Mas eu posso assim falar, se calhar...

De Portugal, do estrangeiro ?

Sim, sim, sim. Se calhar eu posso falar de referências cinematográficas. O Apichatpong [Weeasethakul] é claramente uma grande referência para mim.

Cinema tailandês, então, não é?

Sim, também gosto muito do [Werner] Herzog. Se calhar em Portugal a Catarina Vasconcelos. Porque a mim agrada-me bastante a ideia de espiritualidade no cinema, ou seja, a ideia de acreditar em coisas que não vemos. Eu sinto que eles todos falam muito de fantasmas, menos o Herzog. O Herzog chama mais a terra. Mas há também esse contraste, que é interessante.

Vai a Cannes, teve tempo ou oportunidade de ver quais são as outras propostas que vão contracenar com a sua lá na Mostra La Cinef da prestigiosa selecção oficial. Há coisas que já tentou ver que vai tentar ver ?

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