Há uma diferença mínima entre uma pergunta que termina em ponto de interrogação e outra que termina em reticências. Parece um pormenor tipográfico, mas é aí que se joga boa parte da comunicação pública dos nossos dias. Uma obriga a responder. A outra deixa o caminho aberto para dizer aquilo que já se queria dizer. Nesta conversa, um jornalista que faz perguntas em direto há mais de trinta anos explica como se prepara, quando interrompe, o que corrige e a quem deve verdadeiramente lealdade.
Destaques desta conversa:
O que distingue uma boa pergunta de uma pergunta vaga Porque é que quem responde chega treinado e quem pergunta nem sempre A quem deve o jornalista a sua primeira lealdade A diferença entre moderar um debate e fazer uma entrevista O que pode ser corrigido em direto e o que tem de ficar por corrigir Como se conduz um debate com dez ou onze candidatos Porque é que a agressividade está na pergunta e não no tom Escrever para dizer em vez de escrever para ler Como se constrói credibilidade e com que rapidez se destrói O que se diz quando as câmaras se desligam
"A lealdade mais importante do jornalista não é ao chefe nem ao patrão, é com o público."
Episódio da série Essencial, publicado anteriormente no Pergunta Simples.