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E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques

Pergunta Simples · 26 de mar. de 2025 · 52:28

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Susan Sontag escreveu no seu livro “A doença como metáfora”



E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques



“A doença é o lado noturno da vida, uma cidadania mais onerosa. Todos que nascem têm dupla cidadania: no reino dos sãos e no reino dos doentes.”



E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques



Quando Susan Sontag escreveu isto, em 1978, estava a falar de cancro. Mas podia estar a falar de solidão. De ressentimento. Daquela dor difusa de quem se sente por dentro fora de lugar. Porque a verdade é esta: há uma doença que não aparece nas radiografias, que não se vê ao microscópio, que não se trata como as outras.



Ao questionar: E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques, somos levados a refletir sobre a importância das relações humanas.



É a doença da falta de relação. E essa, está em todo o lado.



Vivemos cercados de tecnologia, mas cada vez mais distantes.



Na abordagem de Rui Marques, E se a empatia fosse obrigatória?, destaca-se a necessidade de fortalecer nossas conexões.



Nunca estivemos tão ligados — e nunca estivemos tão sós. A produtividade sobe, os gostos digitais disparam, mas o silêncio entre duas pessoas que vivem na mesma casa, escritório ou aldeia, vai crescendo. Chamamos-lhe esgotamento, chamamos-lhe ansiedade, chamamos-lhe stresse crónico — mas muitas vezes é só isto: défice relacional. Falta de cuidado. Falta de olhar.



Rui Marques chamou-lhe saúde relacional. E dá-lhe corpo. E nome. E método.



Não é uma metáfora. É literal.



Há pessoas que adoecem porque não têm com quem falar.



Há pessoas que saram porque alguém lhes sorriu no momento certo.



E não é só uma intuição: é ciência. Um estudo de Harvard que há mais de 80 anos acompanha centenas de pessoas chegou à conclusão mais simples e mais desarmante de todas: o que mais contribui para uma vida feliz — e mais longa — é a qualidade das relações. Não o dinheiro. Não o estatuto social. São As relações.



É fácil esquecer isto. Sobretudo num mundo que corre. Que empurra. Que valoriza o fazer mais do que o estar. Que trata as pessoas como recursos. Como números. Como peças. Mas a verdade volta sempre. E a verdade é esta: sem relação, não há saúde.



As crises que vivemos — na educação, nas organizações, nas instituições públicas — são provavelmente e antes de tudo, crises relacionais. Não se resolvem somente com planos, orçamentos ou reformas estruturais. Resolvem-se na qualidade do vínculo entre as pessoas. No modo como se escutam. No modo como se respeitam. No modo como se reconhecem.



Rui Marques fala de literacia relacional. Como quem diz: isto aprende-se. Treina-se. Trabalha-se. Há oficinas. Há modelos. Há maneiras de regenerar relações que foram danificadas. Porque o que nos adoece não é só o conflito — é o conflito não resolvido, mal digerido, ignorado. E isso, sim, tem impacto direto na saúde física, mental e social. Há relações que nos elevam. E há relações que nos esvaziam.



E depois há o digital. Que entra na equação como uma espécie de perturbação crónica. Crianças que nunca treinaram o conflito real, que não subiram árvores nem discutiram cara a cara, e que agora são adolescentes ansiosos, hiperconectados e emocionalmente frágeis. Adultos que se refugiam a percorrer, com o dedo no écran, infinitivamente as últimas novas das redes sociais, para não ter de lidar com o desconforto do silêncio. Relações filtradas, encenadas, mediadas — mas raramente inteiras.



A saúde relacional também passa por aqui: por reaprender o toque, o olhar, o tempo partilhado sem agenda. Por aceitar o silêncio sem o preencher com barulho. Por ter conversas difíceis sem medo do erro. Por construir confiança — esse oxigénio invisível que sustenta qualquer equipa, qualquer família, qualquer sociedade.



E passa, claro, pelo cuidado. Cuidar não é uma palavra delicodoce. É uma palavra difícil. Cuidar exige tempo, exige atenção, exige compromisso. Não é um botão que se carrega — é um caminho que se percorre. E nesse caminho, todos falhamos. Todos tropeçamos. Todos erramos. Mas também todos temos a possibilidade de voltar. De pedir desculpa. De escutar melhor. De tentar outra vez.



A saúde relacional é isto: não é sobre relações perfeitas. É sobre relações vivas. Com tensão, com conflito, com sombra — mas com vontade de permanecer.



A metáfora da doença que Sontag combateu — a de que o doente é culpado, ou fraco, ou castigado — precisa de ser substituída por outra: a de que o humano é relacional por natureza. E que, quando nos afastamos disso, adoecemos. Por isso, mais do que nunca, é tempo de reaprender o básico: ver o outro. Estar com o outro. Reconhecer o outro.





LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO




00:00:00:00 - 00:00:32:11

por vir. Rui Marques é uma daquelas pessoas que nunca descansa e olha que para para a vida do Rui Marques é desde ir a Timor no navio desmontar academias de liderança, desde que criada, pois há refugiados a uma missão. Claramente. E é um gosto estar aqui, Primeiro que tudo, agradecer este convite, saudar quem nos ouve, enfim, uma frase que às vezes me inspira.

00:00:32:11 - 00:00:55:12

Noutros dias nem tanto, Mas para descansar tenho a eternidade. Agora é tempo de cumprir aquilo que estiver ao meu alcance, com todas as minhas limitações, falhas e imperfeições, mas para dar o meu contributo para a construção de um mundo melhor e em cada momento, em cada circunstância, isso foi tendo configurações diferentes, foi tendo aspetos diferentes, Mas acho que essa é a linha condutora.

00:00:55:14 - 00:01:14:09

O que é que eu posso fazer perante os desafios que vivo e que o contexto em que estou, o tempo em que vivo me apresentam? O que é que eu posso fazer? É procurar diferentes respostas, o que o quis num mundo melhor, sendo que olhando para o mundo hoje a gente já descobriu o que é que é um mundo pior, um mundo mauzinho, o que é um mundo melhor?

00:01:14:1

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