Podlileitor de podcasts Webplayer

Uma palavra no seu caminho

Uma palavra no seu caminho

XVIII Dom. Tempo Comum - Homilia

Uma palavra no seu caminho · 2 de ago. de 2026 · 10:38

0:0010:38

Ouça na app Podli 🎧

Siga os seus podcasts favoritos, ouça offline e no carro com CarPlay e Android Auto, e continue sempre onde ficou. Experimente grátis.

A homilia foi revista, estruturada e reduzida para cerca de 3868 caracteres, incluindo espaços.

À primeira vista, as leituras de hoje parecem apresentar-nos um Deus pouco prudente. Na primeira leitura, o povo encontra-se no deserto, cansado, com fome e sede. E o Senhor diz: «Vinde à nascente das águas; vós que não tendes dinheiro, vinde comprar e comer. Vinde comprar, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite». Poderíamos quase pensar que Deus está a brincar com a necessidade daquele povo: manda-o comprar sem dinheiro, precisamente quando, no deserto, nada há para comprar.

No Evangelho, a situação parece ainda mais desconcertante. Ao cair da tarde, os discípulos apercebem-se de que a multidão está num lugar deserto e não tem que comer. Propõem então uma solução sensata: «Manda embora as pessoas, para que vão às aldeias comprar alimento». É a prudência humana a funcionar: cada um procure resolver o seu problema.

Mas Jesus responde: «Não precisam de se ir embora. Dai-lhes vós de comer». Os discípulos olham para o que têm e fazem as contas: apenas cinco pães e dois peixes. É manifestamente insuficiente. Contudo, Jesus manda sentar a multidão, toma aqueles poucos alimentos, recita a bênção, parte-os e entrega-os. E todos comem até ficarem saciados.

Esta passagem ensina-nos que a matemática do Reino de Deus não coincide com a nossa. Nós contamos o que temos, o que fizemos, o que alcançámos. Deus convida-nos a perguntar de outro modo: que fez Ele através de nós? Que realizou com a nossa pobreza, as nossas limitações e os nossos escassos recursos?

Quando olhamos apenas para nós, nunca chega. Nunca fizemos o suficiente, nunca temos tudo o que seria necessário, permanecemos longe do ideal que traçámos. Mas, quando contemplamos o que Deus realiza através da nossa pequenez, ficamos maravilhados. Os cinco pães e os dois peixes representam as nossas capacidades limitadas, os carismas recebidos, as pequenas virtudes que possuímos. Quando são colocados ao serviço dos outros e confiados à graça de Deus, adquirem uma fecundidade que não poderíamos prever.

Aqui se toca o essencial do discipulado: acreditamos mais na graça de Deus ou nas nossas capacidades? Na hora da verdade, gostamos de ter o celeiro cheio, as contas certas e tudo sob controlo. Preferimos aquilo que podemos medir, pesar e garantir. Mas Jesus diz-nos: mais importante do que aquilo que fazes é aquilo que Eu faço através de ti.

Muitas vezes duvidamos. Parece-nos pouco razoável, demasiado belo para ser verdade. No entanto, basta olhar com humildade para a própria vida. Quantas vezes, através das nossas limitações, Deus realizou maravilhas? Quantas vezes, porque tivemos a coragem de Lhe entregar o pouco que éramos e tínhamos, Ele fez muito?

A grande fonte da nossa esperança não se encontra apenas nas grandes narrativas da Bíblia. Encontra-se também na nossa própria vida, quando a aprendemos a ler como história de salvação: uma vida amada, procurada e transformada por Deus. Somos frágeis, possuímos poucas qualidades e conhecemos bem as nossas insuficiências. Mas somos também filhos amados de Deus, em quem e através de quem Ele continua a realizar a sua obra.

Por isso compreendemos as palavras de São Paulo: «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada?» Nada disso nos separará. Não porque sejamos fortes, robustos ou poderosos, mas porque Deus nos ama e nos concede a sua graça.

Há momentos em que tudo parece correr mal e desabar. Contudo, permanece dentro de nós uma paz que afirma: Deus continua a amar-te. E, se sabes que és amado por Ele, nenhuma dificuldade terá a última palavra.

Façamos, então, um instante de silêncio. Recordemos todas as vezes em que entregámos a Deus o nosso pouco e Ele realizou o muito. Todas as vezes em que, através da nossa pobreza, humildade e disponibilidade, criou à nossa volta um verdadeiro banquete de vida, de esperança e de verdade.

Episódios: Uma palavra no seu caminho

PodliDescarrega a app gratuita do Podli
↓ App