Uma palavra no seu caminho · 26 de jul. de 2026 · 8:18
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No terceiro domingo consecutivo, a liturgia coloca no centro da nossa reflexão o Reino de Deus. À primeira vista, poderíamos perguntar: haverá assim tanto para dizer sobre o Reino? Na verdade, há, porque ele constitui o coração da pregação de Jesus. As suas primeiras palavras são claras: «Arrependei-vos e acreditai, porque o Reino de Deus está próximo.» O Reino revela-nos a meta da nossa peregrinação: aquilo que Deus sonha para cada um de nós.
São Paulo exprime-o de forma admirável: fomos chamados a ser «conformes à imagem do seu Filho». Isto significa deixarmo-nos moldar por Cristo, até nos tornarmos outros Cristos. É este o exercício quotidiano da vida cristã: abandonar tudo o que nos afasta do Reino e abraçar tudo o que nos torna mais semelhantes ao rosto de Jesus.
O Evangelho apresenta o Reino como um tesouro escondido e como uma pérola de grande valor. Quem os encontra vende tudo o que possui, não porque despreze o resto, mas porque descobriu algo infinitamente melhor. Este é o dinamismo da fé: Deus não nos conquista pelo medo, pelo cálculo ou pela obrigação, mas pela beleza do seu amor. O Senhor não se impõe; propõe-se. Cabe-nos deixar-nos enamorar pela sua verdade e pela sua bondade.
Talvez por isso o salmista proclame: «Quanto amo, Senhor, a vossa lei!» Não diz: quanto a temo, quanto a cumpro ou quanto a suporto. Diz: quanto a amo. Só quem experimenta a beleza de Deus consegue escolher verdadeiramente o seu caminho.
Mas isso exige tempo. Precisamos de reservar momentos «sem tempo»: instantes de silêncio, de oração, de escuta e de contemplação. É verdade que encontramos Deus nas tarefas do dia a dia, mas reconhecemo-lo com muito maior facilidade quando aprendemos primeiro a permanecer na sua presença. A liturgia retira-nos do ritmo frenético da vida e devolve profundidade aos nossos dias; a oração reorganiza o coração e clarifica o olhar.
Depois chega o momento mais exigente: o das escolhas. Aqui, na igreja, é relativamente fácil desejar ser cristão. A dificuldade começa quando regressamos à família, ao trabalho, à escola ou às redes sociais, onde tantas vozes nos dizem como devemos viver. Sem um coração formado por Deus, acabamos facilmente confundidos.
É por isso que a primeira leitura é tão atual. Quando Deus pergunta a Salomão o que deseja receber, ele não pede riqueza nem poder. Pede «um coração inteligente para distinguir o bem do mal». Talvez esta devesse ser também a nossa oração quotidiana: «Senhor, dai-me um coração sábio, capaz de reconhecer o bem e de o escolher.»
Contudo, a vida de Salomão recorda-nos também que esse dom não dispensa a vigilância. Apesar da sabedoria recebida, nem sempre permaneceu fiel. Também nós precisamos de renovar continuamente este pedido, porque discernir o bem e escolhê-lo não é uma conquista definitiva, mas um caminho de conversão permanente.
Que o Senhor nos conceda, hoje e sempre, um coração convertido, capaz de reconhecer o verdadeiro tesouro e de escolher, em cada circunstância, aquilo que mais nos aproxima do seu Reino.
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